Por que esse segmento está crescendo no setor público

Energia elétrica é uma das despesas recorrentes mais pesadas no orçamento de qualquer prefeitura — iluminação pública, prédios administrativos, escolas, postos de saúde, estações de tratamento de água, tudo depende de energia contratada mês a mês junto às concessionárias. Diante desse peso orçamentário constante, a migração para sistemas fotovoltaicos vem ganhando espaço como estratégia de redução de custo de longo prazo, já que a energia solar reduz (ou em alguns modelos, praticamente elimina) a mensal de energia de um prédio ou instalação pública.

Esse movimento não é exclusivo de grandes capitais — municípios de médio e pequeno porte também têm investido em geração própria de energia solar, muitas vezes começando por prédios administrativos centrais e expandindo gradualmente para escolas e postos de saúde, conforme o orçamento permite. Para o fornecedor do setor, isso representa um mercado em expansão real, ainda pouco disputado em boa parte do país, especialmente fora dos grandes centros.

Além da motivação puramente financeira, muitos municípios também têm metas próprias de sustentabilidade e redução de emissões, frequentemente vinculadas a planos diretores municipais ou compromissos assumidos em fóruns regionais e nacionais de meio ambiente. Isso reforça a tendência de crescimento do segmento: não se trata apenas de uma moda passageira, mas de uma combinação de pressão orçamentária real (conta de energia é um dos maiores itens de despesa recorrente de qualquer prefeitura) com uma agenda de sustentabilidade que tende a se manter relevante nos próximos anos, independentemente do ciclo político local.

Pregão comum: compra de equipamento e instalação

O modelo mais simples de contratação nesse segmento é o comum, em que o órgão público licita a compra de placas fotovoltaicas, inversores e demais equipamentos, junto com o serviço de instalação, como uma contratação de bens e serviç comuns. Esse modelo funciona de forma parecida com qualquer outro pregão: o órgão define a do sistema que quer instalar (potência, tipo de painel, garantia mínima), e os participantes disputam por , respeitando as exigências técnicas do .

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Esse formato é mais comum em projetos de porte menor ou médio — a instalação de um sistema fotovoltaico em um prédio administrativo específico, por exemplo — e tende a ser o ponto de entrada mais acessível para empresas de instalação de energia solar que ainda não têm histórico extenso com contratos públicos de grande porte.

Nesses editais, além do preço, é comum o órgão exigir comprovação técnica mínima, como atestados de capacidade técnica de instalações anteriores de porte semelhante, garantia mínima de funcionamento dos equipamentos (geralmente vinculada à garantia de fábrica dos painéis) e, em alguns casos, uma prévia do local antes da apresentação da , para que o fornecedor consiga dimensionar corretamente o sistema à realidade específica daquele telhado ou terreno.

Contrato de performance energética (ESCO): o que é

Para projetos maiores ou mais ambiciosos, alguns órgã optam por um modelo de contrato diferente, conhecido como contrato de performance energética (ou modelo ESCO, sigla em inglês para empresa de serviços de energia). Nesse formato, o pagamento ao fornecedor está vinculado à economia de energia efetivamente gerada ao longo do contrato — em vez de o órgão pagar antecipadamente pelo equipamento e instalação, o fornecedor assume parte do investimento inicial e é remunerado, ao longo do tempo, por uma fração da economia que o sistema gera na conta de energia do órgão.

Não é possível afirmar aqui, sem confirmação de fonte específica, um percentual típico de economia usado nesses contratos — cada projeto tem sua própria estrutura financeira, definida caso a caso conforme o porte da instalação e o consumo de energia do órgão contratante. O que se pode dizer com segurança é que esse modelo desloca parte do risco financeiro inicial do órgão público para o fornecedor, que só recupera o investimento (e obtém ) se o sistema efetivamente entregar a economia prometida.

Esse formato costuma atrair empresas de maior estrutura financeira, já que exige capital próprio (ou acesso a financiamento) para arcar com o investimento inicial antes de começar a receber pela economia gerada. Para empresas de porte menor, o modelo ESCO tende a ser mais viável em parceria com outras empresas ou por meio de financiamento externo específico para esse tipo de projeto, em vez de tentar assumir sozinho todo o investimento inicial de uma instalação de grande porte.

Preciso de certificação especial para vender energia solar ao governo?

Instalação de sistemas fotovoltaicos costuma exigir, como em qualquer serviço de engenharia elétrica, que o responsável técnico tenha registro no conselho profissional correspondente (, no caso de engenheiros, ou órgão equivalente para outras categorias técnicas envolvidas). Isso não é uma certificação exclusiva do setor de energia solar, mas a exigência técnica padrão de qualquer serviço de instalação elétrica regulamentada. Evite assumir que existe uma certificação específica de "instalador solar" obrigatória em todo sem confirmar isso diretamente no edital que está disputando — a exigência exata varia conforme o porte e a complexidade do projeto.

Além da responsabilidade técnica formal, muitos editais também pedem comprovação de que a equipe de instalação segue normas de segurança do trabalho específicas para serviç em altura (já que a instalação de painéis costuma envolver trabalho em telhado), como treinamento de NR-35. Isso não é uma exigência exclusiva de licitação pública — é uma norma de segurança do trabalho já aplicável a qualquer instalação desse tipo, pública ou privada —, mas vale conferir se o menciona essa comprovação explicitamente entre os documentos de técnica.

Licitação de usina fotovoltaica é pregão ou ?

Depende diretamente da complexidade e do valor do projeto. Instalações mais simples — um sistema fotovoltaico de médio porte num prédio administrativo, por exemplo — costumam ser licitadas por , seguindo a lógica de bens e serviç comuns. Já projetos de maior porte, que envolvem obra civil associada mais complexa (fundações reforçadas, estruturas de sustentação de grande escala, ligação a subestações), tendem a se aproximar mais do regime de , semelhante ao que já é discutido no guia de licitações de construção civil e obras.

Empresas pequenas conseguem competir com grandes instaladoras?

A resposta honesta é: depende do porte do projeto. Grandes usinas fotovoltaicas de grande escala, com investimento elevado e longo, tendem a atrair instaladoras de maior porte, com capital e histórico técnico compatíveis com o risco financeiro envolvido — de forma parecida com o que acontece em outros segmentos de obras de grande vulto. Já instalações pontuais, manutenção de sistemas já existentes e projetos de menor escala em prédios administrativos específicos abrem espaço real para empresas de porte pequeno e médio, especialmente as que já atuam localmente e conseguem oferecer mais ágil do que concorrentes de fora da região.

Vale também observar que o mercado de manutenção de sistemas fotovoltaicos já instalados tende a crescer nos próximos anos, conforme mais prédios públicos migram para energia solar — limpeza periódica de painéis, substituição de inversores, de desempenho. Esse tipo de contrato de manutenção continuada costuma ter valor menor por do que a instalação original, o que reduz a barreira de entrada e abre espaço real para empresas técnicas locais de porte pequeno, mesmo sem capital suficiente para disputar a instalação de uma usina inteira.

Existe linha de crédito ou incentivo para vencer esse tipo de licitação?

Linhas de financiamento voltadas a projetos de energia renovável costumam existir por meio de bancos públicos e instituições de fomento, mas não é seguro afirmar aqui o nome de um programa específico sem confirmar que ele está ativo no momento em que você estiver se planejando para disputar uma licitação desse tipo — programas de crédito mudam de nome, condições e disponibilidade com frequência. O caminho recomendado é consultar diretamente instituições financeiras públicas e de fomento regional antes de assumir que um incentivo específico está disponível para sua empresa.

Também vale observar que, mesmo sem uma linha de crédito específica confirmada, a natureza do próprio contrato de performance energética (modelo ESCO) já funciona, na prática, como um mecanismo de viabilização financeira para o fornecedor: em vez de depender só de crédito bancário tradicional para financiar o investimento inicial, a empresa pode estruturar o projeto de forma que o próprio fluxo de pagamento futuro, vinculado à economia gerada, sirva de garantia para buscar financiamento junto a bancos ou fundos especializados em projetos de eficiência energética.

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