Por que existe mais de um modo de disputa

Nem toda licitação se beneficia da mesma dinâmica de disputa. Um simples, com bem conhecido, tende a se beneficiar de uma disputa aberta e dinâmica, em que participantes vão reduzindo o preço em tempo real até chegar num valor competitivo. Já um objeto mais específico, em que o órgão quer evitar que os licitantes fiquem "correndo atrás" uns dos outros só copiando o do , pode se beneficiar de um modelo mais sigiloso.

Foi pensando nessa diversidade de cenários que a legislação de passou a prever mais de um modo de disputa possível, deixando a critério do órgão contratante escolher, na elaboração do , qual formato melhor se adequa ao daquela contratação específica — buscando sempre equilíbrio entre ampla competitividade e uma disputa saudável, sem manobras artificiais de preço. Para uma visão geral de todo o rito do pregão eletrônico, do edital à , vale revisar o guia sobre como funciona o pregão eletrônico.

Para o fornecedor que participa de licitações com frequência, entender bem essas diferenças deixou de ser um detalhe técnico irrelevante e passou a ser parte da estratégia comercial. Uma empresa que só sabe disputar bem no modo aberto pode se sair mal num pregão que use o modo fechado, e vice-versa — por isso vale a pena treinar mentalmente (ou até simular internamente) como sua equipe reagiria em cada um dos ês cenários antes de participar de uma sessão real.

Modo aberto: como funciona

No modo aberto, todos lances dados pelos participantes ficam visíveis em tempo real para todo mundo que está acompanhando a sessão. Isso cria uma dinâmica parecida com um reverso: cada participante vê o mais baixo até aquele momento e pode decidir se reduz o próprio preço para tentar assumir a ponta, e assim sucessivamente, até que a sessão se encerre — geralmente com uma regra de e enquanto houver lances sendo dados.

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Esse modo tende a gerar mais movimento e mais reduções de preço visíveis ao longo da sessão, já que cada participante reage imediatamente ao dos concorrentes. Para quem gosta de acompanhar a disputa de perto e ajustar sua estratégia lance a lance, é o modo que oferece mais informação em tempo real sobre a posição da .

O risco do modo aberto, do ponto de vista do fornecedor, é a chamada "corrida de preço": como todo mundo vê o de todo mundo, existe uma tentação natural de continuar reduzindo o valor só para não perder a ponta, mesmo que isso já esteja empurrando a margem para um patamar pouco saudável. A recomendação prática é definir, antes da sessão começar, um valor mínimo abaixo do qual sua empresa não vai mais reduzir o lance, e respeitar esse limite mesmo sob a pressão da disputa em tempo real — isso evita decisões impulsivas tomadas no calor do momento.

Modo fechado: como funciona

No modo fechado, a lógica é inversa: participantes enviam suas propostas de forma sigilosa, sem visibilidade sobre o que os concorrentes estão oferecendo, e só ao final da sessão o sistema revela todos os valores simultaneamente, definindo automaticamente quem apresentou o melhor preço. Não existe a possibilidade de reagir ao do durante a disputa, porque ninguém enxerga o valor de ninguém até o encerramento.

Esse formato reduz a dinâmica de "corrida de preço reativa" (em que um participante só reduz o valor porque viu o reduzir primeiro) e exige que cada empresa apresente, já na primeira e única , o valor que efetivamente considera competitivo — sem chance de ajuste posterior com base no comportamento alheio.

Para o fornecedor, isso muda completamente o exercício de precificação: em vez de reagir ao mercado durante a sessão, você precisa investir tempo antes da disputa calculando com precisão qual é o que sua empresa consegue sustentar com margem saudável, considerando custos, impostos e a desejada. Enviar um valor conservador demais pode custar a vitória para um mais agressivo; enviar um valor agressivo demais, sem cálculo cuidadoso, pode comprometer a viabilidade do próprio contrato caso sua empresa vença.

: como funciona

O combina dois formatos anteriores em duas etapas sucessivas. Primeiro, acontece uma fase de disputa aberta, com lances visíveis em tempo real, exatamente como no modo aberto. Depois que essa fase se encerra, os melhores classificados (geralmente um grupo restrito de participantes, conforme critério definido no ) são convidados a apresentar um final, este sigiloso, sem visibilidade sobre o valor dos demais concorrentes daquela fase final.

Esse formato tenta reunir vantagens dos dois modelos: a fase aberta dá dinamismo e informação de mercado durante boa parte da disputa, enquanto a fase fechada final evita que o resultado seja decidido só por quem consegue reagir mais rápido ao do nos últimos segundos da sessão aberta.

Na prática, quem participa desse modo precisa estar preparado para dois momentos de decisão distintos: primeiro, o comportamento durante a fase aberta, reduzindo o preço de forma competitiva sem exagerar; depois, se classificado entre melhores colocados, um segundo momento de decisão para o final sigiloso, que exige o mesmo cuidado de cálculo do modo fechado — sem informação sobre o valor dos concorrentes naquele instante específico.

Qual modo favorece mais empresas pequenas

Não existe uma resposta única e definitiva sobre qual modo favorece mais empresas pequenas — o resultado depende muito da estratégia de cada empresa e do segmento em disputa. De forma qualitativa, pode-se dizer que o modo fechado tende a reduzir a vantagem de quem tem ferramentas automatizadas de acompanhamento de em tempo real (mais comuns em empresas de maior porte, com equipes dedicadas a acompanhar disputas), já que todo mundo apresenta sua melhor de uma vez, sem chance de reagir ao . Já o modo aberto favorece quem consegue acompanhar a sessão inteira com atenção e reagir rapidamente, o que exige disponibilidade e agilidade da pessoa responsável pela disputa naquele momento.

Empresas pequenas que não têm equipe dedicada a monitorar disputas em tempo real muitas vezes se saem melhor no modo fechado, justamente porque o esforço de preparação se concentra todo antes da sessão, num único cálculo bem feito, em vez de exigir disponibilidade constante durante uma sessão aberta que pode se estender por bastante tempo com sucessivas prorrogações automáticas. Já quem tem uma pessoa dedicada e treinada a acompanhar pregões, mesmo numa empresa pequena, pode se beneficiar bastante do dinamismo do modo aberto, reagindo com agilidade e ajustando o preço conforme a disputa avança.

Como saber qual modo o vai usar

A informação sobre qual modo de disputa será usado deve constar de forma explícita no próprio , geralmente na seção que trata do procedimento da . Antes de se preparar para disputar um pregão, vale a pena ler essa parte com atenção, porque ela muda completamente a forma como você deve se planejar: no modo aberto, faz sentido reservar tempo e atenção total durante toda a sessão para acompanhar e reagir; no modo fechado, o trabalho principal está em calcular, antecipadamente, o melhor preço possível para enviar numa única . Para mais táticas de como se comportar durante a disputa de lances, veja também o guia de estratégias para vencer o pregão eletrônico.

Uma boa prática, independentemente do modo, é criar uma rotina interna de leitura de que sempre inclua essa verificação específica antes de qualquer outra etapa de preparação — junto com prazos, e documentos de exigidos. Empresas que disputam licitações com frequência costumam manter uma checklist padronizada para cada novo edital, e incluir o modo de disputa nessa checklist evita surpresas no dia da sessão, quando já não há mais tempo hábil para se reorganizar.

Tabela: Aberto x Fechado x Aberto-Fechado

ModoVisibilidade dos lancesQuando é mais comum
AbertoLances visíveis em tempo real para todos participantesObjetos com bem conhecido e ampla
FechadoPropostas sigilosas, reveladas só ao final da sessãoObjetos em que se busca reduzir disputa reativa entre concorrentes
Aberto-fechadoFase aberta seguida de final sigiloso dos mais bem classificadosSituações em que o órgão busca equilíbrio entre dinamismo e sigilo final

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